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POR FALAR NISSO com Júlio Machado Vaz

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Adolescência 1
Somos gestores dos nossos filhos, não somos donos deles.
TRANSCRIÇÃO

Hoje vamos falar da adolescência. E por falar nisso, tal como a entendemos, a adolescência não existiu sempre.

 

Surpreendidos? Deixem-me dar-lhes um exemplo. Na velha Roma, a idade legal para o casamento era 14 anos para os rapazes e 12 anos para as raparigas. E por volta dos 16, eles iam, entre aspas, em procissão para o fórum com as suas novas togas brancas, chamadas togas viris e passavam a ser cidadãos. Constavam nos livros da velha Roma.

 

Isto é um ritual de passagem. É um ritual de passagem da infância, se quiserem, para já, pelo menos, uma pré-idade adulta. Diga-se também que as raparigas, como de costume, já eram prejudicadas. Não havia ritual nenhum para elas. No fundo, a passagem era marcada pelo casamento. Do poder de um homem para o poder de outro homem.

 

Mas, mesmo na nossa sociedade, há 200 anos - pensem nisto - quantas crianças de 7 anos eram mandadas para muito longe de casa, como se costumava dizer, aprender uma arte? Aprender um ofício. Acham mesmo que esses rapazes, que iam aos 7 anos, tinham a adolescência como nós a entendemos hoje? Não. O que aconteceu é que depois passámos de uma Era pré-industrial para uma Era industrial. Os estudos prolongaram-se. Em termos profissionais, foram precisos períodos muito mais longos de aprendizagem.

 

Em 1904, Stan Léro disse que, na realidade, a adolescência era um estádio do nosso desenvolvimento que tinha valor próprio. E acrescentou uma coisa onde eu queria parar dois segundos. Acrescentou que era uma fase de grande perturbação e que suscitava, com frequência, inúmeros conflitos.

 

Que fique bem claro: com tudo o que já possamos ter visto e ouvido, a maior parte da nossa gente jovem atravessa a adolescência sem problemas de maior. São iguais a nós? Não, nem pensar e ainda bem. Nós não queremos que eles se transformem em fotocópias dos pais ou da geração anterior. Mas, “conflito de gerações”, “crises de adolescentes”, etc., são frases que, para mim, são frases exageradas. E o que é que verdadeiramente caracteriza hoje os períodos adolescentes? Duas coisas, acima de tudo. Temos um intervalo de vários anos em que estes jovens são, continuam a ser, dependentes das famílias e, ao mesmo tempo, são muito dependentes de uma outra instância social, que é o grupo de pares.

 

Qual de nós e que não viveu o medo terrível de não ser aceite pelo grupo? Da malta da escola, da malta que vai para praia, da gente que, eventualmente, está no café. Isto significa que este caminho de uma dependência quase total da infância para, em teoria, a autonomia da idade adulta. Um dia destes, falaremos de todas as vicissitudes que enfrentamos hoje em dia nas idades adultas. Mas enfim, este caminho, como é evidente, tem as suas curvas e contracurvas e a estrada tem lombas. Não são tudo facilidades. Até porque as perguntas fundamentais continuam a ser as mesmas:

 

Quem sou?

De onde venho?

Para onde vou?

 

O meu colega, Mário Cordeiro, costuma dizer, eu estou de acordo: nós somos gestores dos nossos filhos, não somos donos deles. Portanto, temos obrigação de dar dois passos atrás, estar disponíveis, mas deixá-los viver as suas vidas. Que têm dificuldades.

 

Algumas delas falaremos para a semana.

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