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POR FALAR NISSO com Júlio Machado Vaz

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Adolescência 2
Já lhes disse que não queremos que eles sejam fotocópias nossas.
TRANSCRIÇÃO

Prometi voltar à Adolescência e o prometido é devido, como cantava o Rui Veloso. Vou cumprir.

O mais fácil seria falar das alterações corporais, depois da puberdade. Falar da evolução  que não tem de ser necessariamente, igual para todos, mas... Da vida amorosa que vai desde o namorico ao namoro mais estabelecido. Falar, obviamente, da afirmação da sua autonomia.

Já lhes disse que não queremos que eles sejam fotocópias nossas. Terrível mundo esse seria: repetitivo, monótono, sem possibilidade de evoluir. Mas, também temos que reconhecer que há tentativas de marcar a sua autonomia que podem criar situações de conflito.

Outras são mais subtis, algumas até futebolísticas. Vou-lhes dar o exemplo dos Machado Vaz, nada na manga para esconder. Eu e o meu filho mais velho somos benfiquistas. O meu filho mais novo é portista. Com todo o respeito por ele, eu -psiquiatra com deformação profissional, acho que ele, acima de tudo, quis marcar distância e dizer: “O meu pai e o meu irmão são assim e eu sou assado.”

Mas queria não deixar de fora a questão da tecnologia. Porquê? A tecnologia é um mundo novo precioso e um dia espero poder falar-vos, por exemplo, da questão da tecnologia em medicina.

Mas, sobre os adolescentes, nem me passa pela cabeça retirar-lhes os seus amados telemóveis, os seus computadores, etc. Mas há riscos. E esses também não podem ser ignorados.

Nós deparamo-nos, hoje em dia, com muita gente, mais jovem ou menos jovem, que desenvolve verdadeiras dependências da tecnologia. E, ao arrasto a reboque dessas progressivas dependências, num mundo virtual em que controlam todas as variáveis, em que se sentem omnipotentes, surgem fobias sociais.

E convidar alguém para ir a um cinema, ou para jantar, ou tentar uma manobra de sedução pode tornar-se algo extremamente difícil, e, sobretudo, algo que, se falha, empurra aquele jovem de novo para um quarto com uma porta fechada e um computador permanentemente ligado. E isso não é o que nós desejamos. Na realidade, também não é o que eles desejam.

Ou seja, as velhas perguntas de “quem sou, de onde venho, para onde vou?” mantém-se, com colorações novas, o que sempre é inevitável porque a sociedade vai mudando e estamos no século XXI.

Que eles a vivam o melhor possível, é importante também para não haver, mais tarde este mais tarde são muitos anos, por vezes, a nostalgia do que poderia ter sido.

O que bloqueia a vida das pessoas. E por isso, peço-lhes desculpa, trouxe o papel para ter a certeza que não abastardava um homem de quem sempre gostei muito, Manuel António Pinho, trouxe-vos poesia dele.

 

Numa estação de metro, há três versos que acho que caem muito bem neste tema:

 

“A minha juventude passou e eu não estava lá

Pensava em outras coisas, olhava noutra direção

Os melhores anos da minha vida perdidos por distração

Nós queremos que eles se distraiam nas suas adolescências,

Não que as percam por distração.

 

Fiquem bem.

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