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POR FALAR NISSO com Júlio Machado Vaz

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Envelhecimento 1
Um bom envelhecimento prepara-se ao longo de uma vida inteira.
TRANSCRIÇÃO

A Multicare teve a gentileza de me convidar para falar de saúde e qualidade de vida em geral. Mas, mandam as regras, que antes de mais nada agradeçamos a quem nos acolhe: a casa da Arquitetura. E, já agora, a quem desenhou este edifício que tem o duvidoso privilégio de ser meu filho, o Arquiteto Guilherme Machado Vaz.

 

Se há expressão que nós ouçamos em cada esquina é: vivemos numa sociedade cada vez mais envelhecida. E, ao contrário de outras expressões, esta é rigorosamente verdadeira.

 

E pareceu-me bem começar precisamente pela questão do envelhecimento, e não da velhice. Velhice tem por trás uma tonalidade de estar. Envelhecimento, a própria palavra nos empurra para a noção de que estamos em presença no processo contínuo.

 

Mas, estamos na primeira conversa, portanto eu resolvi vir escorado em afirmações da Organização Mundial de Saúde. E há duas questões em que a Organização Mundial de Saúde é cristalina.

 

Primeiro, diz: “As incapacidades que vão surgindo com o envelhecimento não estão diretamente relacionadas com esse envelhecimento.”

 

Não é uma relação de causa-efeito. Ou seja, não é porque eu tenho 69 anos - e tenho mesmo - que se eu estiver deprimido, as pessoas podem me dizer “não é de admirar, tem 69 anos”. Ou quem diz isso, diz as velhas artroses, a diabetes, etc. Não é tão simples como isso. Se bem me lembro, quando eu andava no liceu, chamava-se a isto regras de três simples. Não há regras de três simples.

 

A segunda afirmação decorre da primeira, que é dizer: “Estas incapacidades decorrem, muitas vezes, de situações que aparecem ao longo da vida e que, não raro, são modificáveis por nós.”

 

E isto introduz que tema? Que permeia todo o discurso dos profissionais de saúde?

 

É uma vida mais saudável. É a educação para a saúde.

 

Agora, temos também de ter uma noção precisa daquilo de que estamos a falar. Quando falamos de saúde, quando falamos de estilos de vida saudáveis, não podemos restringir-nos - e já seria bom - a dizer “bom, as pessoas têm que fazer exercício”, “bom, as pessoas têm que ter uma boa alimentação”, “bom, as pessoas - vamos até um pouco mais longe - devem evitar o stress”.

 

A saúde é uma empresa global. Quando ouvimos falar das questões climáticas, quando ouvimos falar da poluição de todo o género, quando ouvimos os médicos serem incitados a perguntar sobre o isolamento das pessoas que os procuram, as condições em que habitam, etc, nós percebemos que, para que seja possível melhorar a saúde em termos gerais, é preciso que haja uma conjunção de vontades e de empreendimentos que, de modo algum, dependem apenas dos profissionais de saúde. Na realidade, não é por acaso que o meu irmão de afeto, o professor Sobrinho Simões, diz: “teremos a saúde que os políticos quiserem”. Ou seja, políticas de saúde são transversais aos mais diversos Ministérios. Quando falamos de espaços verdes, qual de nós é que acha é que quem decide a sua distribuição são os médicos ou os enfermeiros? Claro que não são. E, no entanto, isso tem influência. Olhem, eu sou psiquiatra. Na saúde mental, hum?

 

Se temos esta visão longitudinal e fluída das condicionantes de um bom envelhecimento, dá vontade de dizer que, assim como uma boa reforma se prepara com 10 anos de antecedência, um bom envelhecimento prepara-se ao longo de uma vida inteira.

 

E eu trouxe-vos um pequeno presente. Trouxe-vos Sophia de Mello Breyner Andersen. Este ano, passam 100 anos do seu nascimento.

 

Há um pequeno poema dela que reza assim - chama-se Barcelona:

“Luz e sol e pintura

Sobre o telhado à noite a lua cresce

Abro os olhos como um barco pelas ruas

No entanto, outonece.”

 

Lindíssimo verbo, outonecer. É verdade. Nós estamos no outono das nossas vidas. Mas isso não significa que não consigamos abrir os olhos como um barco pelas ruas.

 

Há escolhos nesta navegação? Há.

E tanto que há que vos vou falar deles.

 

 

Fiquem bem.

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