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POR FALAR NISSO com Júlio Machado Vaz

  • #sociedade
  • #crianças
Importância da sociabilização num crescimento saudável
Sociabilizar significa aprender a controlar emoções.
TRANSCRIÇÃO

Toda a gente precisa de sociabilizar para se sentir mentalmente forte. Sociabilizar é fundamental para o bem estar e para a saúde do indivíduo. Afinal de contas, todos nós somos seres sociáveis e sociais, mas também é importante para o bem estar e para a segurança das sociedades, das comunidades, quer numa perspetiva local quer numa perspetiva global.

Afinal de contas, o que é a sociabilização?

A sociabilização é nada mais do que a aquisição de competências individuais que permitem que aquele indivíduo interaja e se integre de uma forma funcional com um grupo, nomeadamente com um grupo de pares ou com o seu grupo social. E esse indivíduo para se integrar com o grupo de pares ou com o seu grupo social, necessita de partilhar crenças, comportamentos, atitudes, princípios, cultura. A isto se chama sociabilização. Para a criança, brincar e sociabilizar são a base da sua atividade.

Efetivamente, a sociabilização na criança começa praticamente desde o nascimento. E começa desde o nascimento com base em três conceitos fundamentais.
Ponto número um, aprender a comunicar.
Ponto número dois, aprender a lidar com as emoções.
E, finalmente, ser capaz de se sentir a integrar o grupo da qual ela faz parte.

Comunicar significa não só ser capaz de transmitir a mensagem, como ser capaz de se fazer entender para quem quer transmitir a mensagem, mas significa também que quem está do lado de lá responde de uma forma integrada na nossa forma de avaliação àquilo que nós estimulámos. Isto significa comunicar. E a criança aprende a comunicar desde logo, com o estímulo que a mãe desenvolve, com o olhar, com a voz, com os sons, com todo o envolvimento em termos de afeto e de comportamento, desde as primeiras horas de vida.

São os estímulos dentro da família, a partilha dos hábitos, das rotinas, das atitudes, que permitem à criança ser capaz de comunicar tranquilamente e com confiança e com segurança aquilo que sente e que lhe dão ferramentas para perceber quando é que a sua mensagem conseguiu chegar ao lado de lá e quando é que ela tem uma resposta que lhe dá tranquilidade e segurança de efetivamente se sentir como pertença daquele grupo. Portanto, ensinar a criança a comunicar através da partilha, da verbalização e da linguagem, através da partilha dos afetos, através da partilha da expressão das emoções, o olhar, é fundamental para uma primeira etapa do desenvolvimento da sociabilização da criança. A criança aprende no seio da família, com base naquele que vê, naquilo que sente, a sentir-se segura, a sentir-se confortável e a desenvolver a sua identidade, e o desenvolvimento da sua identidade, tendo por base os comportamentos da família é que lhe vão dar segurança, conforto, para ela ser capaz de sair também com segurança e conforto para fora do seio familiar, e assim, para a sociabilização da criança importa que em determinada fase do seu crescimento e desenvolvimento, ela seja capaz de sair fora do ambiente familiar, nomeadamente que seja capaz de ir brincar para o parque, de ficar sozinha em casa da avó, de sair com os amigos.

Tudo isto faz parte do processo de sociabilização por uma razão. A criança vai criando ferramentas que, com segurança e com conforto e tranquilidade, a ensinam a comunicar com outros fora do seu ambiente familiar, mas também a ser capaz de respeitar as reações e as respostas dos outros, a ser capaz de aprender a lidar com os seus afetos, com a sua resiliência, com o seu controle de emoções, porque sociabilizar significa aprender a controlar emoções de forma a ser capaz de integrar em grupo e sentir-se como pertença daquele grupo.

Depois de uma primeira etapa dentro da própria família, em que a mãe e os elementos da família são um elo crucial para o normal desenvolvimento da sociabilização da criança, esta segunda etapa de sair fora da zona de conforto da família e com a retaguarda familiar perceber que ela tem que encontrar o seu espaço, tem que saber comunicar, tem que respeitar a comunicação dos outros e tem que se sentir segura fora do seu conforto familiar, é uma etapa crucial para garantir uma adequada integração na escola para aquelas crianças que não foram para a escola num período precoce, durante os primeiros meses de vida.

Porque efetivamente nos primeiros meses de vida, a sociabilização ocorre de uma forma natural, espontânea, não muito estruturada, porque a capacidade do lactente de interiorizar aquilo que implica a comunicação ainda não está muito desenvolvida. Quando eu falo nestas duas etapas, falo sobretudo em crianças com mais de 1 ano de idade. A escola é o momento e uma vivência fundamental para uma adequada sociabilização da criança. Na escola, a criança contacta com elementos fora do seu conforto familiar. Contacta com o professor, que tem um papel necessariamente de educador, e contacta com os seus pares, e a criança vai ter que aprender como comunicar, como reagir, como receber a informação e ser capaz de gerir o seu stress, a sua angústia, os seus conflitos, em função do seu relacionamento com alguém que é exterior ao seu ambiente familiar e que é um cuidador, que é o professor, mas também com os seus pares, e esta fase da sociabilização na escola, em que a criança necessariamente tem que aprender qual é o seu lugar, a respeitar a interação com os outros, é muito importante para todo o restante processo de sociabilização durante a infância e durante a adolescência, até à idade adulta.

A criança até aos 2 anos habitualmente não tem grande necessidade de sociabilizar, no sentido de partilhar e de contactar. A criança até aos 2 anos gosta de companhia, é frequente ver crianças, por exemplo, numa creche ou num infantário, a brincar com um brinquedo e ao lado ter outra criança da mesma idade a brincar com um brinquedo semelhante, mas cada uma brinca com o seu, elas não partilham, elas não convivem, mas a partir dos 2, 3 anos, a interação, a partilha, a perceção do comportamento do outro e o ajuste do nosso comportamento ao comportamento do outro são pilares cruciais, acompanhados da noção do respeito pelos limites e do respeito pela diferenças, são pilares cruciais, dizia, que permitem moldar uma personalidade e um processo normal de sociabilização que garantam àquele indivíduo sentir-se bem no seu grupo, sentir-se como pertença desse mesmo grupo e sentir-se importante, num aspeto mais global, mas também o ensinam a ser capaz de respeitar a diferença e a ser capaz de gerir e de controlar as suas emoções, de forma a que, funcionalmente, viva feliz num ambiente e num grupo, mas também garanta, nesse mesmo ambiente e nesse mesmo grupo, segurança e tranquilidade.

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