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POR FALAR NISSO com Júlio Machado Vaz

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Oncologia 3
Nós já estamos a morrer menos do que morríamos de cancro.
TRANSCRIÇÃO

Prof. J. Machado Vaz: E agora vamos tentar algo mais ambicioso para dois septuagenários: vamos falar do futuro. Na nossa idade, eu penso que esta pergunta é a mais fácil de todas, não é?

Prof. M. Sobrinho Simões: É.

Prof. J. Machado Vaz: Na nossa idade, nós dizemos o que queremos sobre o futuro e já ninguém, em princípio, nos vai pedir contas. Mas como é que tu vês? Por exemplo, eu lembro-me de te ouvir em entrevistas a divertires-te com as nossas nostalgias, não digo de imortalidade, mas dos 150, dos 170, etc., etc. O que é que tu achas?

Prof. M. Sobrinho Simões: Portanto, vamos lá ver: o cancro, por exemplo, em Portugal, vai continuar a aumentar porque nós estamos a ficar cada vez mais velhos, e aumenta com a idade. Vamos ter cada vez mais cancros, dos mais variados, portanto, não é de um tipo em especial e é homens e mulheres, e é interessante porque nós já estamos a morrer menos do que morríamos de cancro. Portanto, não há nenhuma razão para pensar que nós, que vamos ficar muito mais velhinhos e muito mais vezes com cancros, nós não vamos morrer de cancro e vamos morrer de falência do sistema, infeções, velhice…

Prof. J. Machado Vaz: E, portanto, muitos de nós até vamos, entre aspas, “colecionar” mais do que um cancro?

Prof. M. Sobrinho Simões: Mas muitos, vamos colecionar muitos, e a gente sabe isso das autópsias de velhinhos, é impressionante. Portanto, nós vamos ter mais, e, portanto, no futuro isso é indiscutível. Qual é o que está a acontecer nos países muito civilizados? É aquela ideia de que nós devemos ir à procura dos cancros pequeninos porque, hoje em dia, a imagiologia é extraordinária e a gente consegue ver isso. Eu antigamente só via na autópsia, agora eles veem. O que é que se passa? Nos países, alguns países têm uma atitude muito mutilante porque vão para lá: “Sim senhor, então a gente tem um nódulo, faz uma biópsia, faz o diagnóstico de cancro e faz a mutilação do órgão, total ou parcial”. O Japão, agora voltando, é engraçado que estávamos agora a falar nisso, é o exemplo melhor. O Japão proibiu, o Japão proibiu que em coisas pequeninas alguém enfie… A não ser que haja razões, ou familiares, ou razões outras clínicas, se é um achado ocasional, de um nodulozinho pequenino do pulmão ou da próstata, ou da tiroide, ou da mama, é um nodulozinho pequenino, é um velhinho ou uma velhinha, qual é o que eles dizem? Venha cá daqui a 6 meses e vamos ver se esta coisa está a crescer. E se aquilo não estiver a crescer não fazem nada. E, portanto, o Japão é de longe o país onde mais se está a estimular aquilo a que eles chamam “observar com atenção”, seguir.

Prof. J. Machado Vaz: Eu tinha lido isso em relação à próstata, por razões obvias, não é? Pronto.

Prof. M. Sobrinho Simões: Claro, mas está-se a fazer no pulmão, na mama, na tiroide.

Prof. J. Machado Vaz: E, portanto, corrige-me, se eu estiver enganado, que é: melhorando muito a capacidade diagnóstica, é preciso bom senso porque isso pode levar a uma híper-intervenção. 

Prof. M. Sobrinho Simões: Ao sobrediagnóstico.

Prof. J. Machado Vaz: Ou ao sobrediagnóstico, não é?

Prof. M. Sobrinho Simões: Até a palavra sobrediagnóstico é infeliz porque não é, não é, de facto é um cancro pequenino, portanto, não é um sobrediagnóstico, o que há é um sobretratamento.

Prof. J. Machado Vaz: Hum hum.

Prof. M. Sobrinho Simões: E, portanto, esse é o futu(sic), há um futuro, digamos, é estavas a perguntar-me o que é o futuro, esse é o futuro dos velhinhos e é o grande número, vai aumentar, não vai dar chatices e as pessoas têm de ter muito bom senso, para não saltarem para tratamentos. Pelo lado, agora, das crianças, nós não estamos a aumentar o cancro nas crianças, ao contrário do que se diz. O que a gente agora passou a fazer diagnóstico e está a ter muito bom tratamento e, portanto, não há problema, não é para nós um problema, hoje temos capacidade de fazer diagnóstico precoce e muito bem. Qual é, o que é que continua a ser o nosso problema: é o adulto jovem que tem um cancro que é geralmente agressivo, que é avançado e este é o tal que precisa agora da quimioterapia mais sofisticada, biológica, imunoterapia e processos de articulação. E aí também se está a melhorar muito. Agora, não se está a curar. Portanto, onde eu quero chegar é que nós estamos a melhorar muito a sobrevida de doentes que têm doenças mortais porque têm cancros avançados em adultos jovens, são difíceis de tratar, mas todos os anos melhora-se, portanto, o cancro vai, se eu tiver de identificar uma coisa que não me assusta, é o cancro. A mim o que me assusta são as doenças neuropsiquiátricas, percebes?

Prof. J. Machado Vaz: Ó Manuel, pronto, eu ia te dizer, para não ameaçar a minha sobrevida, que íamos ter de terminar, mas agora vou-te dizer de outra maneira: isso não te deve assustar, para que é que te serve o teu amigo? Qualquer problema nessa área, tu sabes, é chegares a minha casa e pronto.

Prof. M. Sobrinho Simões: Mas não é o cancro.

Prof. J. Machado Vaz: Está bem. Eu compreendo perfeitamente, não é. Pronto, como eu te dizia, para proteger a minha sobrevida com quem está a filmar neste momento vamos ter de terminar. Como diziam os antigos gregos, “não direi nada da gratidão com que te recebi aqui e do (impercetível) prazer”.
Até à próxima. E nós também, até à próxima.

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